“A vida é uma peregrinação que não sabemos fazer sem uma bússola.”
INTRODUÇÃO
Estás no mato sem cachorro — perdido, isolado, sem possibilidade de obter ajuda imediata — mas tens contigo um instrumento milenar que pode indicar a direção a seguir: uma BÚSSOLA.
Sinto-me muitas vezes perdido e desorientado nas minhas opções pessoais, sociais e políticas — especialmente desde o início deste milénio, marcado por eventos tectónicos e por uma avalanche de informação impossível de digerir. E creio que não estou só.
Procurar soluções satisfatórias — aquilo que Herbert Simon chamou de satisficing — neste contexto, parece um desafio insuperável, um verdadeiro labor de Sísifo. Sempre que nos aproximamos de uma verdade, surge nova informação que nos obriga a recomeçar.
Os niilistas resolvem essa tensão negando a própria existência da verdade. Mas esquecem-se de que, pelo menos, é verdade que existimos e que pensamos: cogito, ergo sum.
Durante séculos, as religiões ofereceram orientações amplamente aceites, que aliviavam os ombros e a consciência. Hoje, porém, a ausência de fé e o espírito laico herdado da Revolução Francesa apagaram essa luz remota que durante tanto tempo nos serviu de GPS social.
O desenvolvimento económico no Ocidente permitiu a cada um crescer e desenvolver-se à sua maneira, sem tabelas sociais impostas. O anormal passou a ser percebido como expressão legítima da singularidade pessoal, exigindo compreensão e tolerância — tantas vezes, paradoxalmente, revelando intolerância para com o tradicionalismo cultural.
É necessário continuar a respeitar essa liberdade individual, mas também é urgente respeitar princípios básicos que possam funcionar como denominador comum de qualquer programa político. O libertarianismo funda-se nesses princípios universais:
- Liberdade individual – Cada pessoa tem o direito de dispor de si mesma.
- Propriedade privada – Aquilo que é seu, adquirido sem violência ou fraude, deve ser respeitado.
- Princípio da não-agressão – Ninguém tem o direito de iniciar o uso da força contra outrem.
Estes princípios radicam-se no ius naturale — estão presentes em todas as culturas e fazem parte da própria natureza humana.
Sê quem és, mas sem fugir à verdade, sem matar, sem roubar.
Se reconheces e adotares estes princípios, tens contigo uma BÚSSOLA para a vida. Não precisas de ser libertário nem abandonar as tuas crenças e valores — sejam eles pessoais, familiares, sociais, políticos ou religiosos. Basta reconheceres a natureza humana no outro. E assim respeitarás também a antiga regra de ouro:
“Não faças aos outros aquilo que não queres que te façam a ti.”
Não agridas — porque não queres ser agredido.
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